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Bloco Afro Pop 100 Censura transforma o Campo Grande em tributo a Gilberto Gil
Bloco Afro Pop 100 Censura transforma o Campo Grande em tributo a Gilberto Gil
Por Redação
16/02/2026 às 17:00

Foto: Ascom SecultBA
O Bloco Afro Pop 100 Censura ocupou o Campo Grande com força, elegância e identidade ao desfilar em homenagem a Gilberto Gil, levando para a avenida o tema ‘O canto da liberdade e da ancestralidade’ e reafirmando sua trajetória marcada por resistência e consciência negra.
Fundado no fim dos anos 80 por estudantes da Faculdade de História da Universidade Católica, o bloco nasceu em meio às mobilizações pela liberdade de expressão e contra a discriminação racial. Em 1986, a proposta começou a ganhar corpo como um movimento de contestação. “A gente protestava muito. Tínhamos vontade de dizer que não estávamos nem aí”, relembra o presidente Gilvã Francisco, ao destacar o espírito inquieto que impulsionou a criação da agremiação.
Mais do que um bloco carnavalesco, o 100 Censura mantém uma atuação ativa na comunidade do Engenho Velho de Brotas, oferecendo aulas de instrumentos de cordas e percussão e apoiando o Núcleo de Assistência às Pessoas com Câncer (NAPEC). A iniciativa reforça o compromisso social que sempre caminhou lado a lado com a música.
Na avenida, a estética também traduziu o tema. A ala de frente surgiu com figurinos em dourado e preto, marcando presença com imponência. Em seguida, foliões embalados pelo afro-pop acompanhavam o desfile, enquanto bonecos com a imagem de Gil reforçavam a homenagem ao artista que simboliza liberdade e liderança para o povo negro.
Para o Presidente, celebrar Gil é reconhecer uma referência viva. “Entendemos que, apesar de ser um imortal da academia hoje pela música, Gil representa para nós, na instância do povo negro, um líder. Nada mais justo do que, nesses 40 anos, saudar o brilho de Gil”, afirma.
Entre os participantes, a emoção também marcou o desfile. André Santos, que estreou no bloco este ano, celebrou a experiência. “O bloco está maravilhoso. É minha primeira vez e estou com a expectativa alta. Vou curtir a noite toda!”, disse.
Pioneiro na introdução do afro-pop, o presidente lembra que a consolidação do gênero não foi fácil. “Existia uma resistência com o afro-pop naquela época, que estava fora da linguagem”, recorda. Mesmo diante dos desafios, o 100 Censura segue há quatro décadas defendendo sua identidade musical e sua bandeira de luta, mostrando que protesto e celebração podem caminhar juntos na avenida.
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